Ausência de energia vital (ou de louça para lavar?)

Acho que quando chegamos à vida adulta, tudo vira uma tela borrada, sem definição, sem claridade. Muitos continuam na infância, e assim se estenderão por muito tempo, outros já se consideravam velhos mesmo antes dos 18 anos.

Eu sou uma dessas pessoas. Ontem, respondi a um comentário numa rede social sobre se sentir “novo e cheio de vida”. Não me lembro de ter me sentido nova sequer uma vez na vida. Acho que minha natureza ansiosa e preocupada sempre me vez ver o mundo anos-luz à frente, procurando saídas, resultados, situações fáceis e difíceis. E cheia de vida, bem, fora algumas ótimas experiências momentâneas que eu tive, um sentimento de cansaço é constante. Provavelmente, de novo, por viver mais no futuro que no presente. Viver mais as bifurcações do que a linha reta na qual me encontro atualmente.

Ando cansada de viver o futuro o tempo todo. Tornei-me (mais) ansiosa, mais depressiva, provavelmente bipolar, com crises de TOC que já me deixaram sem dormir. A preocupação com aquilo que está por vir, com aquilo que será, às vezes com aquilo que nunca foi, também, rouba-me o espírito. Olho-me no espelho, não me reconheço mais. As relações que tinha com pessoas, com a vida, comigo mesma, tudo isso foi embora. Sinto que vivo de extremos, e, como uma corda, estou me arrebentando pela metade.

As pessoas tentam ser gentis, entretanto, não há muito o que dizer ou fazer. Sei que as respostas residem somente em mim, embora eu dependa extremamente de fatores externos. Desde que me entendo por gente agarro-me às coisas pequenas, acontecimentos, eventos, pensando “aqui, para isso vale a pena viver” e vivo na expectativa – até lá, determino, não posso desistir, não posso morrer. Notei tal comportamento nos últimos cinco anos, quando me dei conta de que não havia mais nada a me agarrar e, então, vi-me perdida.

Nada a que se agarrar.

O bizarro é ver ao meu redor que, em termos materiais, nada me falta. Mas o que hei de fazer deles, afinal? Objetos não falam, não sentem. Podem servir de apoio emocional, embora, no fim das contas, não ajudem realmente. É incrivelmente sufocante saber que eu não consigo viver a vida como queria viver, tendo tudo. Sinto-me culpada, ingrata, insolente.

Talvez realmente me falte lavar uma louça, como uma vez escutei. O bom remédio para cabeças depressivas e desocupadas. Talvez se eu empilhar os pratos direito, eles não caiam na minha cabeça. Ou, talvez, caiam mesmo assim.

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