Marseille, a cidade branca

Esse fim de semana, passei em Marseille. A segunda maior cidade da França é conhecida pelas belezas naturais, mas também pela desigualdade social, pela violência e pela imigração magrebina, onipresente em todos os cantos da cité. Não vim pelo puro desejo de fazer turismo, nem necessariamente pela saudade que estava do banho de mar — vim porque queria ver uma querida amiga, Renata.

Renata, de olhos verdes grandes e pele morena, com seu sorriso largo e bonito, que eu conheci ainda em 2020, na nossa primeira aventura juntas na França, quando fizemos intercâmbio na mesma escola de Francês, em Lyon. Depois de muito me chamar para visitá-la, finalmente comprei as passagens e zarpei no trem às 6h20 da manhã do sábado para encontrar com ela. Sempre atenciosa com os amigos, concordou com meu pedido desesperado de ir à praia, ver o Mar Mediterrâneo e nadar em suas águas geladas. Eu estava animada, e fiquei feliz que ela parecia estar também.

Marseille, por si só, me surpreendeu. O título desse texto reflete algumas das reflexões que eu tive enquanto observava a cidade e seus detalhes. Renata quis saber o porquê de eu dizer que Marseille era branca, em vez de bege, e eu tive que explicar que tinha a ver com o brilho que irradiava da cidade. O sol forte, os prédios claros, a água azul escura e as gaivotas por todos os lados — quem queria observar Marseille tinha que comprimir bem os olhos, lutar com os raios de luz que vinham de todos os lados. Raios brancos, quentes, intensos. 

Achei a cidade linda, diferente. Sempre quis saber como era a costa francesa, e não minto quando digo que o Mar Mediterrâneo implica fantasias na minha imaginação de leitora que sempre adorou histórias que se passam ali. Sua água salgada é densa e fria, refrescante num dia quente (mesmo se isso significa perder um pouco da sensibilidade dos dedos do pé). O sal gruda na sua pele e se mostra através de pontinhos brancos enquanto você se seca ao sol. 

Marseille oferece de tudo um pouco — arquitetura tradicional francesa, passeios de barco, castelos e fortalezas, comidas típicas, feirinhas, igrejas monumentais e, principalmente, natureza. No sábado, subimos alto para apreciar o pôr do sol na colina da Basílica Notre-Dame de la Garde. Fiquei sem ar e choraminguei a subida toda, entretanto, não me arrependi. O visual é de tirar o fôlego. 

Aproveitando que já estávamos no pique de subir montanhas — e escadas de apartamentos no quinto andar sem elevador —, no domingo Renata me levou para ver o Parque Nacional das Calanques. Definido como um "acidente geográfico" pelo Google, os calanques estão pela costas do Mar Mediterrâneo e são especialmente bonitos na costa da França. Foram mais de sete quilômetros de trilha, muitas descidas e, principalmente, subidas, mas no final demos de encontro com uma vista da imensidão azul e do infinito de rochas que davam àquela paisagem um toque paradisíaco. 

Foram um pouco mais de 24 horas de viagem. Escrevo esse texto do trem, enquanto a região de Provence passa por mim em alta velocidade. Deixo registrado aqui meu carinho por Renatinha, minha querida amiga. Tenho muita sorte de tê-la por perto. Também deixo aqui mais um relato de viagem, inspirado pelo mar. Já estou com saudades da água salgada. 

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