Linhas vermelhas e felicidade súbita: um breve diário de viagem introspectivo
Acho incrível como experiências ligam as pessoas. Nesse exato momento, encontro-me retornando a Lyon de Genebra, na Suíça, onde eu passei um dia mais do que especial com um grupo de quatro outros amigos.
Cada um sentado em sua própria poltrona no ônibus, todos cansados e sonolentos. Entretanto, se eu fechar meus olhos, consigo imaginar uma linha vermelha atrelada a cada um de nós. Essa linha nos liga, reforçando um laço criado durante o dia de hoje.
Quando se é tão jovem (ou, ao menos, tão jovem quando se pode ser nos vinte poucos) certos acontecimentos deixam memórias que cravam na nossa essência respostas emocionais inesquecíveis, reconfortantes e calorosas. Quando eles são divididos com alguém, aquela pessoa passa a estar entrelaçada a nós também. Mesmo que um dia venhamos a nos desligar, mesmo que diariamente a conexão não seja tão forte, existirá sempre aquela nostalgia de momentos singulares que ligaram essas pessoas.
Da perspectiva de estudante imigrante, essas experiências compartilhadas são extremamente importantes para nos lembrar que a nossa conectividade com o mundo vai bem além das dificuldades do dia-a-dia. Falando ainda de forma mais pessoal, as últimas semanas não foram as mais fáceis — e isso gera o questionamento se tomei as decisões corretas na minha vida. Mas dias como hoje, que são recebidos como um presente, um alívio no meio de tanta tensão, me fazem lembrar de que estou aqui para além de simplesmente terminar um curso de mestrado. Mesmo se no futuro eu mude de ideia, tudo o que vivi, estou vivendo e ainda viverei aqui é extremamente valioso. Felicidade ou dor, ansiedade ou êxtase. E fico feliz de poder compartilhar com indivíduos tão igualmente únicos.
Talvez a felicidade genuína venha em momentos súbitos, que se esvaem igualmente fácil, mas posso ao menos afirmar que ela existe em mim — e em quem compartilho tantas linhas vermelhas.
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